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quinta-feira, 22 de Novembro de 2007

Texto informativo-expositivo, texto expositivo-argumentativo, texto de opinião, texto de reflexão, dissertação... Não é tudo a mesma coisa?

Para um primeiro artigo "à séria", certamente poderíamos ter encontrado um tema mais simples para discutir... mas dada a importância da coisa, preferímos começar mesmo por aqui. É que sinceramente, estes textos têm sido alvo de certa injustiça por parte da comunidade menos informada, ao serem julgados como semelhantes, ignorando-se, portanto, as particularidades de cada um deles...

Texto informativo-expositivo



Para começar, vamos abordar a definição de exposição. Este termo é associado a explanar ou explicar uma temática, de forma denotativa, procurando precisamente informar, esclarecer o alocutário acerca daquela matéria. E é, de facto, esta a essência de um texto informativo-explicativo.

Tal como os restantes textos, enquadra-se na estrutura canónica (introdução, desenvolvimento e conclusão), incluíndo, geralmente, as seguintes fases:
  • introdução ao tema;
  • definição do propósito da exposição;
  • comentário sobre os pontos de maior relevo, que devem ser encadeados sequencialmente e corroborados por evidências;
  • conclusão, onde frequentemente se recapitulam as ideias principais da exposição.

Como é bom ver, as exposições não têm necessariamente que ser escritas: há a possibilidade de serem orais, havendo maior ou menor dinamismo na apresentação. Na verdade, apesar do dinamismo ser importante no texto informativo-expositivo, de forma a tornar a informação que se pretende transmitir mais compreensível, não se revela nesta tipologia tão decisivo como na que observaremos a seguir...

Texto expositivo-argumentativo


O atento leitor certamente já detectou semelhanças (nomeadamente ao nível do nome) entre o texto informativo-expositivo e expositivo-argumentativo. Em comum, têm não só a origem semântica como também a maioria das características. Contudo, algo tão pequeno (ou tão grande) como o objectivo do texto, faz com que estes dois sejam substancialmente divergentes.

Se a função do texto informativo-expositivo é informar, como acabámos de realçar, a finalidade do texto expositivo argumentativo é mais ambiciosa: tenciona persuadir e convencer o público-alvo quanto a uma tese ou um juízo. Para tal, expõem-se argumentos de vários tipos, recorre-se à exemplificação e, na melhor das hipóteses, põe-se "por terra" qualquer teoria em oposição. Estruturalmente, não existem diferenças de maior entre os últimos dois tipos de texto, mas neste aqui, existe uma certa liberdade no que diz respeito à sequência dos argumentos: por uma questão estratégica, podem ser dispostos por ordem crescente ou decrescente de relevância, conseguindo assim capturar a atenção e a credibilidade do destinatário.

Prepare-se para a subida de nível de subjectividade do...
Texto de opinião

Desta feita, o locutor propõe-se a conquistar adeptos para um ponto de vista (ou opinião, porque não?), investindo especialmente na clareza e na retórica. Enquanto o texto argumentativo-explicativo se serve da dialéctica para fazer as suas demonstrações (a dialéctica pode ser definida como "a lógica da aparência"), o texto de opinião, menos objectivo, emprega instrumentos da retórica (tais como deduções e induções, etc., que, como se sabe, não são técnicas potencialmente exactas...), para convencer.
Muitas vezes, o texto de opinião surge na sequência de um evento controverso, sobre o qual o autor é capaz de tomar uma posição peremptória, recorrendo à argumentação e à exemplificação na apresentação e explicação dos dados que sustentam o seu modo de encara o problema.

A agressividade do texto volta a decrescer na próxima tipologia. Reflictamos um pouco acerca do...

Texto de reflexão



Através do texto reflexivo (ou de reflexão), pretende-se somente sugerir uma análise à realidade, sob o prisma de um indivíduo, que está a redigir o texto. Este, por meio de juízos de valor e exemplos devidamente articulados, não deseja mais do que insinuar um ideal, não se confundindo este propósito com o do texto de opinião. Estes dois textos de apreciação crítica terão em comum, porém, que ambos obedecem à forma canónica textual, e, apesar de tudo, comunicam ao leitor uma posição parcial face a uma matéria logo à partida.

O mesmo não se pode dizer a respeito da...

Dissertação


Por último, mas não menos importante (como diriam os nossos amigos ingleses), temos a dissertação: "exposição minunciosa, oral ou escrita, de um assunto doutrinário" - limitou-se a definir, vagamente, o Dicionário de Língua Portuguesa da Priberam Informática e da Porto Editora (1996). Um pouco mais dissertadores podiam ter sido eles, pois acabaram por mutilar a definição retirando-lhe detalhes importantes. Falta acrescentar-se que a dissertação visa a defesa, a contestação ou meramente a discussão de um tema.

Por razões de alongamento e clareza, convém que o tema a explorar seja delimitado e equilibrado. Desta forma, poder-se-ão reunir argumentos apropriados e eficazes, que farão parte de uma fase de desenvolvimento do texto, obviamente consecutiva à introdução e à conclusão.

Ao plano dialéctico (onde a dissertação desempenha um papel de destaque), fazem parte três momentos fulcrais: a tese, a antítese (que nega a tese) e a síntese (que supera a tese e a antítese, tomando de cada uma os pontos mais difíceis de refutar).

-- Conclusão ---

De um modo geral, pode-se então sintetizar:

  • Todas as tipologias textuais referidas têm em comum: a frase declarativa, o tempo presente do indicativo, as expressões de carácter modal, os artivuladores discursivo, o discurso na terceira pessoa, a estrutura canónica...
  • Para além disto, o texto expositivo é quase imparcial, ao passo que o texto expositivo-argumentativo é totalmente partidário; o texto de opinião persuade para uma crença, enquanto o texto reflexivo sugere uma ideia; e a dissertação, o texto mais extenso dos cinco, mostra um raciocínio do seu autor, na direcção de uma conclusão que é a síntese (emerge da tese e da antítese).

Ângela Silva

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